Igreja em Portugal assinala segundo aniversário do 5.º Congresso Eucarístico Nacional realizado em Braga

Dois anos depois da realização do 5.º Congresso Eucarístico Nacional (CEN), a Igreja em Portugal continua a colher os frutos espirituais, pastorais e missionários daquele acontecimento que reuniu, em Braga, entre 31 de maio e 2 de junho de 2024, cerca de 1400 de participantes de todas as dioceses do país.

Sob o tema «Partilhar o Pão, alimentar a Esperança. “Reconheceram-n’O ao partir o Pão”» (Lc 24,35), o Congresso constituiu um forte apelo à redescoberta da centralidade da Eucaristia na vida da Igreja e na missão dos cristãos no mundo contemporâneo.

Ao longo daqueles dias, marcados pela oração, reflexão, celebração e comunhão eclesial, ecoou com particular intensidade o convite a fazer da Eucaristia «fonte inesgotável de esperança para o mundo», como ficou expresso nas conclusões finais do Congresso. A celebração da fé, a adoração eucarística, o aprofundamento da espiritualidade litúrgica e o compromisso com a fraternidade e a missão foram apresentados como caminhos concretos de renovação para a Igreja em Portugal.

Dois anos depois, multiplicam-se sinais dessa renovação. Entre eles destaca-se o crescente dinamismo da adoração eucarística em várias dioceses e comunidades paroquiais. Em Braga, nasceu recentemente um novo projeto de adoração eucarística perpétua, expressão concreta do desejo manifestado no Congresso de «manter as igrejas abertas e revalorizar a adoração eucarística», envolvendo leigos, movimentos e comunidades na oração contínua diante do Santíssimo Sacramento.

Este fruto pastoral traduz também uma das grandes intuições deixadas pelo Congresso: a necessidade de redescobrir que a centralidade eucarística vai para além da celebração dominical, tornando-se presença viva no quotidiano das comunidades cristãs e inspiração para uma Igreja mais próxima, samaritana e missionária.

Na homilia da celebração conclusiva do 5.º CEN, no Santuário do Sameiro, o Cardeal José Tolentino de Mendonça sublinhava que «a Igreja recomeça porque reencontra Jesus» e que a Eucaristia é «possibilidade de reconhecer o Ressuscitado no meio de nós». O enviado especial do Papa Francisco desafiava ainda a Igreja em Portugal a ser «uma Igreja Eucarística», Samaritana e Mariana, capaz de colocar Cristo no centro, viver a compaixão e testemunhar a beleza da fé.

Neste segundo aniversário do 5.º CEN, ganha também particular atualidade o ensinamento da nova encíclica do Papa Leão XIV sobre a espiritualidade eucarística e a construção de uma cultura da fraternidade. O Santo Padre recorda que «a espiritualidade que necessitamos é uma espiritualidade eucarística, ou seja, uma espiritualidade da unidade eclesial no amor» (Magnifica humanitas, 234), sublinhando que a comunhão com Cristo conduz necessariamente à comunhão entre todos os irmãos.

A partir da Eucaristia, afirma o Papa Leão XIV, nasce uma Igreja chamada a preservar os vínculos humanos, a devolver voz aos invisíveis e a cuidar das relações, sobretudo num tempo marcado pela fragmentação, pelo individualismo e pela aceleração digital. A mesa partilhada, a comunidade reunida, a proximidade aos pobres e aos mais sós tornam-se sinais concretos de uma humanidade reconciliada e aberta à esperança.

As palavras do Papa encontram profunda sintonia com as conclusões do 5.º Congresso Eucarístico Nacional, que apelavam a uma Igreja capaz de unir contemplação e missão, liturgia e caridade, adoração e compromisso concreto com os mais frágeis.

As conclusões do Congresso apontavam igualmente para desafios que permanecem atuais: reforçar a formação litúrgica, promover uma participação mais consciente e ativa dos fiéis, integrar os jovens nos processos de renovação pastoral, assumir a sinodalidade como estilo de Igreja e fortalecer a ligação entre a celebração da fé e o serviço concreto aos mais necessitados.

O 5.º Congresso Eucarístico Nacional realizou-se cem anos depois da primeira edição, organizada igualmente em Braga, e ficou profundamente marcado pelo caminho sinodal da Igreja, pelo dinamismo da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 e pela preparação do Jubileu de 2025, convocado pelo Papa Francisco sob o lema «Peregrinos da Esperança».

Ao assinalar este segundo aniversário, permanece vivo o apelo lançado em Braga a uma Igreja que, alimentada pela Eucaristia, saiba construir comunhão, cuidar das relações humanas e tornar-se sinal de esperança no meio do mundo. Como escreve o Papa Leão XIV na encíclica Magnifica humanitas, «a Igreja alimentada pela Eucaristia é chamada a mostrar outro critério, preservando os vínculos, devolvendo voz aos que se não veem e orientando os processos para a dignidade das pessoas» (Magnifica humanitas, 235). Assim, a memória do 5.º Congresso Eucarístico Nacional continua a desafiar a Igreja em Portugal a testemunhar, através da fé celebrada e vivida, a beleza do Evangelho como caminho de fraternidade, justiça e paz.