Rev. Dr. Biju Jose OSH
À medida que a Igreja na Austrália se prepara para receber o mundo para o 54.º Congresso Eucarístico Internacional em 2028 (Eucharist28), é oportuno olhar para trás com gratidão para um momento notável na história católica do país: o Congresso Eucarístico Internacional realizado em Sydney em 1928.
Desde os primeiros séculos do cristianismo que a Igreja se entende como católica — universal, enviada para proclamar o Evangelho a todas as nações. O Senhor ressuscitado confiou esta missão aos seus discípulos quando disse: «Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações» (Mt 28,19). Ao longo da história, a Igreja tem procurado formas de manifestar esta universalidade e unidade. Uma dessas formas é o Eucharist28, um encontro global centrado no mistério da Sagrada Eucaristia, o sacramento no qual Cristo permanece verdadeiramente presente entre o seu povo.
A Eucaristia está no centro da vida da Igreja. Através da celebração da Eucaristia, os crentes de todas as nações e culturas estão unidos no único Corpo de Cristo. Esta realidade profunda é nobremente expressa nas palavras de são Paulo: «Visto que há um só pão, nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo, porque participamos do mesmo pão» (1Cor 10,17). A Eucharist28 procura celebrar e proclamar este mistério perante o mundo.
Entre estes encontros históricos, o 29.º Congresso Eucarístico Internacional, realizado em Sydney de 2 a 9 de setembro de 1928, ocupa um lugar especial tanto na história católica australiana como na história mundial. Com a bênção do Papa Pio XI, foi o primeiro congresso alguma vez realizado no Hemisfério Sul. Este facto marcou um momento importante, refletindo a presença crescente da Igreja Católica para além dos seus centros tradicionais.
Bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, e inúmeros fiéis leigos viajaram de muitas partes do mundo até Sydney para participar na oração, na catequese e na celebração litúrgica. O congresso atingiu o seu cume com uma magnífica procissão eucarística pela cidade, que terminou na Catedral de Santa Maria. Esta procissão solene não foi meramente cerimonial; foi uma proclamação pública da fé em Cristo verdadeiramente presente na Eucaristia.

Os registos históricos estimam que mais de meio milhão de pessoas participaram nas celebrações, tornando-o um dos maiores encontros religiosos jamais testemunhados na Austrália naquela época. Durante esses dias, a Eucaristia foi celebrada em diferentes línguas e de acordo com várias tradições litúrgicas. A diversidade de ritos e culturas manifestou de forma belíssima a unidade mais profunda da Igreja – uma expressão viva de um povo reunido de todas as nações, tribos e línguas perante Deus (Ap 7,9).
Entre os participantes ilustres deste encontro histórico encontrava-se um representante notável da antiga comunidade católica da Índia: Alexander Chulaparambil, bispo de Kottayam na Igreja Siro-Malabar e fundador da Sociedade dos Oblatos do Sagrado Coração (OSH).
A sua presença revestia-se de um significado particular. O bispo Alexander representava a antiga tradição dos cristãos de são Tomás da Índia, cujas origens remontam à pregação do apóstolo Tomás no século I. Durante quase dois milénios, esta comunidade preservou a sua herança litúrgica e espiritual única, mantendo-se em comunhão com a Igreja universal.
Dom Alexander já tinha participado no Congresso de Roma em 1922. Durante esse encontro, estabeleceu amizade com vários líderes da Igreja, incluindo o Arcebispo James Duhig, de Brisbane. Foi em grande parte graças ao convite do Arcebispo Duhig que o Bispo Alexander viajou para a Austrália e participou no Congresso de Sydney de 1928.
Os relatos históricos sugerem que ele foi um dos primeiros malayalis a pisar solo australiano. A sua viagem marcou, portanto, um momento significativo na história do envolvimento da Igreja indiana com o resto do mundo.
A visita do Bispo Alexander ocorreu numa época em que as restrições à imigração e a discriminação racial ainda eram comuns em muitas partes do mundo. No entanto, a presença de um bispo indiano num encontro católico internacional transmitia uma mensagem poderosa: a Igreja transcende as fronteiras nacionais, culturais e raciais. Em Cristo, a humanidade descobre uma unidade mais profunda que ultrapassa todas as divisões.
A Igreja Católica nunca se limitou a uma única cultura ou continente. Desde os seus primeiros séculos, cresceu como uma comunhão de crentes enraizada em todas as partes do mundo. A presença de D. Alexander em Sydney foi um testemunho vivo desta universalidade. A sua viagem foi, portanto, muito mais do que uma peregrinação pessoal. Simbolizou o encontro de antigas tradições cristãs no seio da única Igreja global.
Em cada celebração da Eucaristia, crentes de diferentes culturas e origens reúnem-se num único Corpo de Cristo. Como santo Agostinho tão belamente expressou: «Contempla o que és; torna-te aquilo que recebes». A Eucaristia transforma a Igreja numa comunhão que transcende fronteiras e gerações.
Quase um século depois, este momento histórico continua a inspirar reflexão. Enquanto Sydney se prepara mais uma vez para acolher a IEC em 2028, a memória do encontro de 1928 convida-nos a redescobrir a mesma fé eucarística que inspirou os crentes daquela época.
Para os membros da Sociedade dos Oblatos do Sagrado Coração que atualmente servem na Diocese de Broken Bay, na Austrália, esta memória reveste-se de um significado especial. Acalentamos a certeza de que o nosso fundador pisou outrora solo australiano e participou numa das celebrações eucarísticas mais significativas da história da Igreja neste país.
A sua presença em Sydney continua a ser uma lembrança discreta, mas poderosa, da universalidade da Igreja. Em torno do altar do Senhor, os fiéis de todas as nações e culturas estão reunidos num único corpo em Cristo. Num mundo frequentemente dividido pela cultura, pela política e pela história, a Eucaristia continua a proclamar uma visão diferente – uma humanidade unida no amor de Cristo.
Texto original: https://catholicweekly.com.au/bishop-alexander-chulaparambil-at-sydneys-historic-eucharistic-congress/


